quinta-feira, novembro 25, 2010



foto ff

Hoje é o dia em que festejaríamos o teu octogésimo aniversário e que tu detestaria celebrar, pois as festas não te seduziam e o envelhecimento ainda menos.
Egoisticamente sinto-te a falta, queria voltar a ser abraçada pelo teu olhar, queria abraçar-te como quem mendiga segurança, queria olhar-te como uma esponja que impede o cristal de se partir. Queria-te imortal de pele que não rasga e ossos que não partem.
Guardo-te robusto na crença e inquebrável na adoração à natureza. Inspirador na mística, sôfrego na vida, honesto na essência.
Ficaste-me  colado em ambos os lados da pele. Ainda dorida admiro a obra de alfaiate, requintada em cada dobra e corte meticulosamente ajustados à anatomia dos meus afectos, do meu sentir, do meu desejo e do meu medo. Medo é a minha palavra de coragem, de aceitação da vida e da morte e de respeito pelo negrume que me habita.
Para ti um beijo suave de saudade e ternura. 

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