Domingo, Julho 05, 2009

foto ff


hoje o sol do fim de tarde deslizou pela minha sala de forma bastante subtil até roçar alguns dos meus actuais companheiros de viagem, o Calvino sentiu cócegas e sorriu, o Hugo Mãe ficou com os olhos brilhantes à espera do luar, a Velho da Costa sentiu a sensualidade do calor, o Cossery espreguiçou-se languidamente, Pessoa sentiu-se habitado, Kafka desculpabilizado, Aub justificado e Allan Poe virtualizado, eu senti-me intensamente desfossilizada enquanto do outro lado do telefone meu amigo me dava um dos seus olhares mais cândidos e mimentos... acho que vou dormir mais feliz

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Sexta-feira, Junho 12, 2009

exalavaqueixumedabandonadaerecusavaqualquermãoesticada

Quinta-feira, Maio 21, 2009

avós

foto ff


Artigo redigido por uma menina de 8 anos e publicado no Jornal do Cartaxo.

'Uma Avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros. As Avós não têm nada para fazer, é só estarem ali. Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as flores bonitas nem as lagartas. Nunca dizem 'Despacha-te!'. Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem apertar-nos os sapatos. Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo ou uma fatia maior. As Avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes. Quando nos contam historias, nunca saltam bocados e nunca se importam de contar a mesma história várias vezes. As Avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo. Não são tão fracas como dizem, apesar de morrerem mais vezes do que nós.
Toda a gente deve fazer o possível por ter uma Avó, sobretudo se não tiver Televisão'.

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Segunda-feira, Maio 11, 2009

por vezes os elementos embatem-nos com um impacto e uma impregnação como se não tivessemos a pele/escudo para nos amortecer, depois sai-nos um grito silencioso mas expressivamente aparatoso... até que repousamos com os musculos latejantes



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Segunda-feira, Abril 20, 2009

there are days...



...and other days I do feel like that...

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there are days...



...I do feel like that...

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Sexta-feira, Abril 17, 2009

to mike

foto ff

Sylvia Plath - Tulips
"
The tulips are too excitable, it is winter here.
Look how white everything is, how quiet, how snowed-in
I am learning peacefulness, lying by myself quietly
As the light lies on these white walls, this bed, these hands.
I am nobody; I have nothing to do with explosions.
I have given my name and my day-clothes up to the nurses
And my history to the anaesthetist and my body to surgeons.

They have propped my head between the pillow and the sheet-cuff
Like an eye between two white lids that will not shut.
Stupid pupil, it has to take everything in.
The nurses pass and pass, they are no trouble,
They pass the way gulls pass inland in their white caps,
Doing things with their hands, one just the same as another,
So it is impossible to tell how many there are.

My body is a pebble to them, they tend it as water
Tends to the pebbles it must run over, smoothing them gently.
They bring me numbness in their bright needles, they bring me sleep.
Now I have lost myself I am sick of baggage ----
My patent leather overnight case like a black pillbox,
My husband and child smiling out of the family photo;
Their smiles catch onto my skin, little smiling hooks.

I have let things slip, a thirty-year-old cargo boat
Stubbornly hanging on to my name and address.
They have swabbed me clear of my loving associations.
Scared and bare on the green plastic-pillowed trolley
I watched my teaset, my bureaus of linen, my books
Sink out of sight, and the water went over my head.
I am a nun now, I have never been so pure.

I didn't want any flowers, I only wanted
To lie with my hands turned up and be utterly empty.
How free it is, you have no idea how free ----
The peacefulness is so big it dazes you,
And it asks nothing, a name tag, a few trinkets.
It is what the dead close on, finally; I imagine them
Shutting their mouths on it, like a Communion tablet.

The tulips are too red in the first place, they hurt me.
Even through the gift paper I could hear them breathe
Lightly, through their white swaddlings, like an awful baby.
Their redness talks to my wound, it corresponds.
They are subtle: they seem to float, though they weigh me down,
Upsetting me with their sudden tongues and their colour,
A dozen red lead sinkers round my neck.

Nobody watched me before, now I am watched.
The tulips turn to me, and the window behind me
Where once a day the light slowly widens and slowly thins,
And I see myself, flat, ridiculous, a cut-paper shadow
Between the eye of the sun and the eyes of the tulips,
And I hve no face, I have wanted to efface myself.
The vivid tulips eat my oxygen.

Before they came the air was calm enough,
Coming and going, breath by breath, without any fuss.
Then the tulips filled it up like a loud noise.
Now the air snags and eddies round them the way a river
Snags and eddies round a sunken rust-red engine.
They concentrate my attention, that was happy
Playing and resting without committing itself.

The walls, also, seem to be warming themselves.
The tulips should be behind bars like dangerous animals;
They are opening like the mouth of some great African cat,
And I am aware of my heart: it opens and closes
Its bowl of red blooms out of sheer love of me.
The water I taste is warm and salt, like the sea,
And comes from a country far away as health."

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Terça-feira, Abril 07, 2009

foto ff


"À preguiça pode dar-nos o tempo necessário à reflexão. É nesse sentido que falo da preguiça. A maior parte das pessoas não tem tempo para reflectir. Mas uma vez doentes, as pessoas dão um passo decisivo no sentido da reflexão, porque por fim desejam a querem pensar. Isto é duma simplicidade infantil." Albert Cossery (entrevista in Mendigos e Altivos)

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Domingo, Abril 05, 2009

to mike



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puccini & mike



Nessun dorma,
nessun dorma ...
Tu pure, o Principessa,
Nella tua fredda stanza,
Guardi le stelle
Che tremano d'amore
E di speranza.

Ma il mio mistero è chiuso in me,
Il nome mio nessun saprà, no, no,
Sulla tua bocca,
io lo dirò
Quando la luce
splenderà.

Ed il mio bacio scioglierà il silenzio
Che ti fa mia.

Il nome suo nessun saprà
E noi dovrem, ahimè, morir, morir...

Dilegua, notte!
Tramontate, stelle!
Tramontate, stelle!
All'alba vincerò!
Vincerò!
Vincerò!



Giacomo Puccini
(1858-1924)

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pensa em mim...






http://www.youtube.com/watch?v=mgjtSEjlgbM

...para que eu possa pensar-me, para que eu possa existir, pensa em mim...

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porque não há formulas mas verdades emocionalmente verdadeiras

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Sábado, Março 28, 2009

foto ff

"Por volta das seis horas da manhã, constituiu uma experiência notável vermos o que se passa na rua principal da aldeia. É sempre uma hora de grande movimento. Apressados, os homens saem da cama das suas amantes e regressam rapidamente ao local a que verdadeiramente pertencem: a casa da mães." (Coler, p.173)

in O reino das mulheres - o último matriarcado de Ricardo Coler

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Terça-feira, Março 10, 2009

amizade cúmplice



Eram três, três cigarros dos fininhos porque eram mais elegantes, elas fumaram-nos como quem se dá um prazer especial e cúmplice antes do confronto, uma com a dor sentida nos neurónios massacrados e no couro cabeludo cansado e relaxado, as outras duas na dor sentida de ver a amiga a ser despida da sua moldura social e estética... uma a uma cada pilosidade do seu couro cabeludo foi parar ao chão, aquele chão que tantos ampara na sua derradeira separação, eles no chão abandonados, as lágrimas a espreitarem, os olhos a brilharem de dor pela perda, os cantos do rosto tensos como quem segura o amor próprio para que ele não se despenhe naquele chão maculado de dor.
Ainda neste dia é outro dia, outro início, outro hábito, outro sonhar, como tantos outros inicios de tantos outros dias com que foi premiada, dias pejados do imprevisivel que trouxe tantas vezes o pior do esperado. Como que se lhe colou esperar o pior, mas sem o aceitar, sem deixar que seja dono de sua vida, essa é a luta de cada um dos seus dias, de cada seu acordar, intervalada com o resvalar do choro de quem não entende, de quem não percebe o sentido do que não tem sentido

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quatro noites com anna



Ele gostou, ele predador, eu predadora de predadores navego na onda do imaginário que aquele personagem imaginado pelo autor efectiva, eu protegida pela tela que me separa e me envolve, gosto através do ele predador que gosta através do ele personagem imaginado pelo autor, e gosto através das imagens projectadas na tela que me separa e me envolve.
Ele gostou, ele predador, gostou das unhas pintadas a cores a preto e branco, do poder extremo de poder adorar sem ser magoado, eu predadora de predadores navego na onda do imaginário de poder ser adorada sem magoar nem ser magoada.

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Domingo, Fevereiro 22, 2009

insertare

Hoje falaram-me de enxertos de macieiras, pessegueiros,..., e de almas?, quis perguntar (calei, não fosse esse Deus embravecido, macular-me ainda mais)

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Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

porque hoje...



... é Sexta-Feira 13 e o sol não se acanhou, era mesmo o que me apetecia: dançar e cantar...

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Segunda-feira, Janeiro 26, 2009

"


Do documentário Southern Comfort, filmado durante a última primavera de Robert Eads. Nasceu no interior da América, com um corpo feminino. Só na meia-idade começou a transição, depois de se mudar para a Flórida. Os médicos acharam que, por causa da idade, Eads não precisava de remover o útero ou ovários, e ficou-se pela terapia hormonal e mastectomia. Casou-se com uma psicóloga, mas acabou por voltar para a Geórgia quando o relacionamento chegou ao fim.


Numa tarde de 1996, Eads teve um episódio agudo de dores abdominais. Nas urgências, descobriram-lhe um cancro nos ovários. Quando se dirigiu ao primeiro médico, foi com choque e surpresa que se viu recusado: o oncologista negou-se a seguí-lo, achando que lhe traria "má reputação" e perda de clientes. Depois dele, mais vinte e quatro médicos lhe negaram assistência, pelo mesmo motivo, ou crenças religiosas, ou outros.


Só em 1997 é que Eads teve acesso a cuidados médicos. Apesar de várias cirurgias e radioterapia intensa, o cancro, que já se tinha metastizado para o resto do abdómen, acabou por o matar. Morreu em Janeiro de 1999, com 53 anos de idade.

No ano anterior, durante a Southern Comfort Conference, um evento anual destinado à comunidade transsexual do sudeste americano, uma pequena equipa de filmagens seguiu a última primavera de Eads. No excerto, já sabendo que não tinha muito tempo, ele fala do que sente pelos médicos que ajudaram a precipitar a sua morte. E não é ódio que Robert tem dentro dele..." siona


Como é possível? Como ficar indiferente a uma actuação destas? Não é isto negligência, preconceito certificado, poder agonizante de quem pode fazer a diferença entre a vida e a morte?

Pois:

Decidir...
Nem em Medicina nem em Bioética é possível decidir com absoluta certeza. Chegamos apenas ao provável. Cabe actuar com prudência. Devemos aprender a tomar decisões incertas, mas racionais. Os médicos de família, devem evoluir de uma atitude paternalista, que é a tradicional, para uma postura que respeite a pessoa livre do doente, com base nos princípios éticos implicados narelação médico-doente. (3)
O conjunto de princípios idealizados por Beauchamp e Childress (4), respeito pela autonomia, beneficência, não maleficência e justiça; a que se adicionou a vulnerabilidade consagrada por Kemp e Rendtorff (5), trouxe um referencial de importância considerável para a Bioética. Não sendo tidos como absolutos, estes princípios são aceites como orientadores da decisão em questões éticas na prática clínica. (6)
Autonomia - respeito pela legítima autonomia das pessoas, pelas suas escolhas e decisões que sejam verdadeiramente autónomas e livres (sem qualquer tipo de coacção externa).
Beneficência - promover positivamente o bem do doente.
Não maleficência «Primum non nocere» - ter sempre em mente a obrigação de não fazer mal a outrem (não prejudicar o doente).
Justiça - considerar que todos os Homens são iguais em direitos e na justa distribuição de recursos da sociedade (cuidados de saúde).
Vulnerabilidade - constatar que algumas pessoas (deficientes mentais, doentes em coma, crianças, etc.) estão particularmente fragilizadas ao ponto da sua integridade física ou psicológica estar ameaçada.
Beauchamp e Childress referiram que só examinando os princípios éticos, e determinando em que medida esses princípios se aplicam individualmente, podemos ter uma verdadeira resolução dos problemas. (4)
(…)
A ética não pretende ser um manual de comportamento, mas é um saber necessário e conveniente. A prudência, a maturidade de espírito, a honestidade, uma sólida formação humanística e uma atitude crítica e pensada perante os nossos actos são imprescindíveis para uma medicina eticamente válida. Com certeza não é preciso lembrar que para além de qualquer outro interesse está a saúde e o bem-estar dos nossos doentes, que nos escolheram, e ao serviço dos quais nós escolhemos livremente estar.”

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Terça-feira, Janeiro 20, 2009

porque hoje...

...prossegue a história com o homem que concentra em si a unificação sonhada por Martin Luther King Jr.

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Quarta-feira, Janeiro 14, 2009

para os tapores

meu comentário aos pescadas, quando alguém se rebelou contra a sugestão de ler o livro de Ítalo Calvino " Se numa noite de inverno um viajante",só porque lho sugeriram e porque tem muitas leituras entre mãos:

"olhem lá agora é aquela altura em que nós espraiamos as leituras que temos vindo a fazer (como os interessantes tapores têm feito - http://tapornumporco.blogspot.com)? também contam flyers, letras gordas das revistas nas caixas de supermercado, as páginas amarelas, as etiquetas da roupa, as advertências nos produtos de higiene, etc. e tal? Digam lá, para eu começar a preparar o meu rol de leituras..."


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