domingo, março 13, 2011
terça-feira, dezembro 15, 2009
abandono gonadal [pautado] de enxaguamentos caudalosos
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sexta-feira, dezembro 11, 2009
foto ff
humedeço-me [musgo translúcido e gaiteiro] espelho-me [sem reflexo cega de mim] sarcófago-me [peito mumificado alvura de gaze] luva em mim [desimpressões assépticas] corpo de mim [sacrifícios imaculados de dor]
[-----assoalho a epiderme na esperança germicida]
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humedeço-me [musgo translúcido e gaiteiro] espelho-me [sem reflexo cega de mim] sarcófago-me [peito mumificado alvura de gaze] luva em mim [desimpressões assépticas] corpo de mim [sacrifícios imaculados de dor]
[-----assoalho a epiderme na esperança germicida]
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Etiquetas: a cinza, a preto e branco, amores, no mundo dicotómico qual sou eu?, saudosa homenagem
quinta-feira, dezembro 11, 2008
hoje estou embuchada com a alma que na tentativa de se proteger das gotículas húmidas se me enrodilhou no esófago
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sexta-feira, novembro 14, 2008
para A.I.
“Nem pensar!” Disse ela alto e bom-tom, deixando claro que não admitia uma situação de destrato daquelas, era um direito seu, escrito e defendido por qualquer lei daquele lugar. Não coleccionava maus atendimentos dos serviços públicos e privados
“Nem pensar!” Pensou ela baixo e secretamente, guardando para si que lhe doía aquela falta de cuidado e carinho que lhe era reservado por aquela pessoa de quem gostava sem limites. Não sabia porque lhe era reservado aquele desprezo que se ia acumulando dentro de si como um nevoeiro que tudo envolve.
Cansada adormeceu e sonhou com Youkali, acordando ainda a sorrir enquanto não olhava o trânsito frenético da sua janela.
quinta-feira, setembro 04, 2008
Perdigão perdeu a pena
Perdigão perdeu a pena
Não há mal que lhe não venha.
Perdigão que o pensamento
Subiu a um alto lugar,
Perde a pena do voar,
Ganha a pena do tormento.
Não tem no ar nem no vento
Asas com que se sustenha:
Não há mal que lhe não venha.
Quis voar a u~a alta torre,
Mas achou-se desasado;
E, vendo-se depenado,
De puro penado morre.
Se a queixumes se socorre,
Lança no fogo mais lenha:
Não há mal que lhe não venha.
Luís de Camões
Etiquetas: ...onde em terras lusas?, a cinza
segunda-feira, março 10, 2008
sábado, março 08, 2008
quarta-feira, março 05, 2008
domingo, fevereiro 03, 2008
Desisto! – Disse ela. Estou farta desta merda toda, desta solidão quase acompanhada, desta tentativa infrutífera de juntar bocados, de fazer puzzles que …(ofegante pára para respirar)…e continua…não encaixam e não interessam a ninguém, de correr contra o vento para embater contra muros cheios de durezas implacáveis, de me sentir uma alien sem ter onde repousar a vista, ansiosa pelas flores que hão-de vir com a nossa amiga fazedora de explosão de cores escondidas nas grutas de Inverno, de dizer que estou farta de ser mendiga de afectos, de ouvir dizer tens que fazer alguma coisa… procura outros tesouros, sê mais dócil… mais uma pausa para respirar e prossegue: …quando bastaria que (ainda que temporariamente) me abraçassem e dissessem: tens razão em tudo (mesmo que não tenha) porque o sentes e essa é uma verdade inquestionável, deixa rolar tuas lágrimas pelos sulcos de minhas mãos, das rugas da precocidade dos atormentados, dos vales dos que sonham e se desiludem, dos que buscam e não encontram, dos que viajam na busca de um mundo mais ideal.
(pausa para respirar)
Acrescenta – Desisto e a minha alma também porque está tão frouxa de tanto se esticar para todos os lados procurando alcançar paraísos oásicos, desisto por cansaço…até outros dias em que os sóis iluminem a outra margem…! – Cala-se, exausta.
Etiquetas: a cinza
quarta-feira, novembro 21, 2007
Vive uma vida que não é sua nem de ninguém ou outrem.
É daqui, dali e dalém.
Vagueia-se por entre sonhos, espectros e silhuetas; alguns parecem ter consistência humana (consubstanciada) outros são meras holografias de projectos ou projecções de alguém que vai rodando os destinos das gentes, actores sem escolha, cegos na ânsia de ser e agradar a quem dirige, perversamente usufruindo (eles, nós, vós!???).
Reconhece-se nos olhos que se perdem no horizonte da solidão da cidade tumultuada, revê-se nos braços dos amantes que desesperadamente se buscam, esconde-se na folhagem de betão.
É matéria feita gente, é gente feita mulher, é mulher feita.
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segunda-feira, outubro 08, 2007
porque hoje é
foto sh alterada por ffdia em que até a máscara diária me deixa transparente
Etiquetas: a cinza, porque hoje é
segunda-feira, outubro 01, 2007

foto ff
Hoje caiu em mim uma saudade
Ríamos com chocolate nos dentes
Os olhos sérios com sonhos a acomodarem-se
Abriam-se as minhas asas e poisávamos
No topo das árvores
Hoje caiu em mim uma saudade
Chorávamos com a taça de vinho na mão
Gestos tresloucados de palcos confidenciais
Dançava até nem mais um grão de pó restar
No solo que pisávamos
Hoje caiu em mim uma saudade
Quase me lançou contra a parede
O espaço aperta-se deixando-nos sem ar
Condenada espero o fuzil libertador
No abraço que nos enlaça
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segunda-feira, setembro 17, 2007
está aberta a época de tiro ao alvo
“Este post já é um bocado tardio, mas eu só ontem soube do episódio porque tenho estado fora em serviço (golfe na Estela e Ponte de Lima) e daqui a pouco saio novamente em serviço (golfe no Montado e em Tróia).
Entre as duas comissões de serviço, lendo os jornais atrasados na internet, vi no DN uma peça sobre uma entrevista que a jornalista Márica Rodrigues, da RTP, fez no passado dia 27 de Julho com o embaixador iraniano em Lisboa. Não acreditei nem nas palavras do jornal, nem nas fotos. Fui ao You Tube e vi então o que me recusava a acreditar.
A "jornalista" ganhou direito às aspas. A minha alma ficou parva. Não aguentei a ira, a indignação e a revolta. a "jornalista" vestia-se a rigor, de acordo com as imposições islâmicas fundamentalistas para entrevistar o embaixador do Irão em LISBOA! Toda de negro, com véu e luvas! Incrível! maquilhage discreta, ar reverente e submisso. Inaceitável!
É certo que em Roma devemos ser romanos. Mas porra, estamos em Lisboa! Ainda podia aceitar que, em Teerão, e por razões de força maior, se pudesse aceitar uma imposição desta ordem, tendo em vista um interesse superior que seria o de ouvir uma personalidade importante, sobre um tema de grande interesse num momento certo. Mas porra, estamos em Lisboa e o senhor embaixador não disse mais do que palvras de circunstância e aproveitou o tempo de antena para propaganda gratuita.
A "jornalista" prestou um mau serviço ao Jornalismo, a Portugal, à União Europeia, à presidência portuguesa da União Europeia, às mulheres iranianas e a todas as mulheres submetidas à tirania e à prepotência tradicionalista dos fundamentalistas islâmicos.
Eu considero que a maior conquista da Humanidade é a instituição civilizacional do princípio da igualdade. Todos somos iguais em direitos e dignidade, independentemente da cor, da força física, da fé, da idade, da opção sexual e do sexo. Uma das maiores realizações do Homem é a aceitação da paridade estatutária entre os sexos. Milénios de discriminação, opressão, violência, humilhação e segregação dos homens sobre as mulheres ainda não foram inteiramente superados. Há ainda, mesmo entre as sociedades ocidentais, muito caminho a percorrer. Um dos pontos em que as sociedades fundamentalistas islâmicas revelam precisamente a sua faceta mais desumana, bárbara, arrogante e prepotente é no modo como tratam as mulheres. Há um grande caminho a percorrer no sentido de oferecer a milhões e milhões de mulheres islâmicas aquilo a que têm direito: DIGNIDADE e IGUALDADE.
Márcia Rodrigues está do outro lado, está do lado dos fanáticos islâmicos. Em Lisboa sejamos livres, tal como em Roma, em Londres, em Paris, em Nova Iorque, em Sidney, em Brasília, em Toronto e onde quer que calhe no mundo ocidental. Já que em Teerão não é possível. Por enquanto.” post de S. publicado no tapor a 4 de Agosto.
... não se acanhem com os prós, os contras e os assim-a-assim
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segunda-feira, setembro 03, 2007
Mata-borrão
foto ffMata-borrão


fui e sou, agora cada vez mais sujo, agora cada vez mais imundo, agora cada vez menos eficaz, agora cada vez menos capaz, agora cada vez mais amolecido, agora cada vez mais enfraquecido, agora cada vez mais esfarelado, agora cada vez menos ou mais qualquer coisa que torna mais difícil carregar as algias próprias ou alheias.
domingo, agosto 12, 2007
foto ffOs fantasmas são etéreos, por isso são leves, porque combatem a gravidade e podem gravitar livremente nas nossas retinas, nos nossos neurónios de onirismo, nas nossas dendrites das memórias significativas; são nossos e produzidos por nós mas têm uma actividade e liberdade de acção, manifestação e aparição que nos pode apanhar desprevenidos, assustar-nos porque não os esperamos e não os reconhecemos como produção própria dos nossos produtos internos.
Assim eles podem parecer-nos pesados e densos quando não os reconhecemos como algo que faz parte de nós. Sendo eles percebidos como exteriores, surgem-nos hediondos e monstruosos, invadindo espaços que nós sentimos deverem ser-lhes alheios. Quando isto ocorre podemos entrar numa luta inócua, de os tentar afastar e remeter a um espaço fora de nós. Que nunca será possível.
quarta-feira, agosto 01, 2007
Silêncio
foto ffSilêncio, … silêncio …, … silêncio …, … silêncio … … … … … … … … … … … …
tenho palavras demais a loopingarem na minha cabeça, palavras de dores pessoais e alheias, de queixumes de insatisfações diárias, de incapacidade em entender e ser entendida, de adjectivos qualificativos para tanto e tantos, ditas e caladas, de segredos e medos, de beleza e fealdade, de certezas e dúvidas, de fascínios e horrores, de amor e ódio, de amizade, de solidariedade, de egoísmo, de verdade, de justiça, de inveja, de ciúme, de tristeza, de desalento, de felicidade, de prazer, de desejo, de esperança, de desespero, de culpa, de falhas, de impotência, de carinho, de ternura, amargas, azedas, simpáticas, acutilantes, envolventes, hipnotizantes, belas, teimosas, persistentes, casmurras, calmantes, …. Silêncio, … silêncio … … … … … … … …
domingo, julho 08, 2007
Mudaste, mudaste para melhor, disseram-lhe.
Talvez não tenham visto que aquilo que aos seus olhos era ‘mudar para melhor’, era para si dor e sofrimento, tormento e angústia.
Talvez não tenham visto no seu olhar um tremular de pedido de ajuda, nem para si perceptível.
Talvez não saibam que quase esqueceu a cor do brilho do sol, o calor dos sorrisos, o veludo dos abraços e o som das palavras meigas.
Não sabem que dentro de si está um vulcão em erupção, onde tudo arde ferozmente e sem tréguas.
in alma estrangulada
segunda-feira, junho 11, 2007
Aproximo-me devagar para não a assustar, assim que me encontrei mais próxima, com alguma doçura na voz e tensão contida, perguntei: Que fazes? Com movimentos que pareciam conter toda a harmonia do mundo, ela olhou-me no olhos, mergulhando na doçura de um entardecer dizendo: Lavo o Amor, claro! Olho-a estupefacta…o amor…ali, naquela terra árida, num ermo recôndito, onde um friozinho percorria todos os movimentos de forma inevitável. Mas…como…é possível?!? Com a desenvoltura de quem sabe a verdade desde a origem dos tempos ela responde-me: Enrodilha-se sempre nos sítios mais difíceis…eu e ele estamos sempre no jogo do ‘gato e do rato’ quando temos de refrescar-nos e retirar as impurezas que os dias vão acumulando! E é aqui que ele se esconde? Pergunto-lhe, curiosa e atónita. Não sei, tem muitas artimanhas, tenho de ter paciência e estar atenta para o encontrar no elemento ou na molécula mais pequena que aqui habita! Diz ela. E costumas conseguir encontrá-lo? Demora muito tempo? Insisto eu. Depende, às vezes sou eu que o encontro, outras é ele que me encontra a mim!
Etiquetas: a cinza
sábado, maio 12, 2007
foto ffDentro de si florescem pérolas líquidas com a fragilidade do cristal e a flexibilidade do mercúrio, que se fragmentam e impregnam osmoticamente nos interstícios globulares, linfáticos e alveolares. De rápida e agridoce acção dilatam fulgurantemente para num ápice se estreitarem de constrição hipotérmica, donde a dor e a dilaceração se insurgem num apelo de balsâmico clamor.

