domingo, dezembro 07, 2008

foto ff

Não sei nem gosto de dar opiniões. Pode parecer que o faço mas não. Somente uso as palavras para dizer emoções que me saltam das órbitas. Mas se ao dizer ‘gosto disto’ e ‘não gosto daquilo’ estou a dar opiniões então faço-o amiúde. Agora opinar que isto ou aquilo é que é o certo para este ou aquele, recuso-me; que isto ou aquilo é que está certo ou errado, recuso-me; que tenho de fazer desta ou daquela forma porque é o correcto, recuso-me; que é 'assim ou assado', nunca...mais.

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quinta-feira, outubro 16, 2008

fotos ff


Fico sempre incomodada e tolhida com as notícias políticas e económicas. Fico tumultuada por dentro, em verdadeira convulsão e emudecida por fora. Como dizer aquilo que parece óbvio, dizer aquilo que me parece anti-humano, anti-direitos do homem e direitos civis?
É necessário dizer a qualquer humano que se não beber água fica com sede? Que se não comer morre à fome? Que se não defecar fica intoxicado? Que se não formos cuidados e amados definhamos física e emocionalmente? Assim me parecem a maioria das intervenções sócio-políticas e económicas, evidentes no seu abuso sobre o que é ser-se humano e ser-se responsável por determinações que interferem directa e profundamente naquilo que é viver e com dignidade. Se comer, beber… e amar não são parte essencial dessa garantia de dignidade então fechem instituições, tribunais de menores, misericórdias, casas e famílias de acolhimento e afins porque estamos todos a promover futilidades! Caprichos! Bens dispensáveis!
Só é bem essencial o amor que acontece entre homem e mulher (porque é parte do dito núcleo familiar que compõe as únicas e aceitáveis ‘células’ que compõem a nossa sociedade)? Claro que se aceita o amor entre pessoas do mesmo sexo desde que não amoroso, que mediado por laços de sangue. Mas isso complica-se na adopção e na ‘madrastia/padrastia’, pois temos (pelo menos esperamos ter) amor entre pessoas do mesmo sexo, que não têm laços de sangue e onde um é, em princípio, menor. Então o que o garante é a existência de um casal heterossexual que medeia esse sentimento tornando-o seguro e protegido??!??!!?
Ai está a explicação para que duas pessoas do mesmo sexo não possam oficializar a sua relação amorosa (porque o amor, que todos sabem onde e como se manifesta -deve ter sido por lerem os livro do António Damásio- não se pode manifestar que em sexos ou géneros diferentes – seja lá o que isso do género for, de contrário é uma impossibilidade que todos sabem e conhecem, porque sim, porque é assim) adquirindo direitos sociais e económicos, que lhe permitam uma integração, reconhecimento e participação naquilo que é apanágio de uma democracia (ou será a nossa democracia não mais do que uma outra forma de categorizar os cidadãos de primeira, de segunda, de terceira, …?)?
Continuo sem perceber, serei menos dotada do intelecto do que me pensava? Então quais os motivos para que não se possam celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo? O amor que ai existe é deveras diferente? Diferente de quê? Haverá uma espécie de polígrafo que permita dirigentes e outros com poderes tais afirmar e fundamentar que aquele sentimento é diferente, menos válido, contranatura, pouco desejável, inadequado e recriminável? Argumentos de que depois vem a adopção não são semelhantes a ‘não se lhe pode dar a mão que depois querem todo o braço’? Sendo assim então ficaríamos na pré-história, não fazemos casas porque depois queremos vivendas, não comemos carne cozinhada porque depois queremos cozinha sofisticada, não usamos a roda porque depois queremos asas, não usamos palcos porque depois queremos celebridade, por ai adiante…
Depois o que tem o amor amoroso, de duas pessoas que querem estar juntas, para se mimarem, apoiarem e com desejo sexual, de contraindicado para a proximidade com uma criança? Onde e em quê é prejudicial essa manifestação no desenvolvimento de uma criança? Isso determina e influência (negativamente) a sua orientação sexual? Então se isso é factor determinante no desenvolvimento psicossexual do indivíduo, o convívio com os casais heterossexuais seriam garantia de orientações heterossexuais (logo não haveriam orientações homossexuais em famílias nucleares) e também não haveriam orientações heterossexuais em crianças educadas em contextos exclusivamente femininos ou masculinos (de que são exemplos instituições religiosas onde estes foram criados).
Parece que o que é negado, não oficializado, é como se fosse invisível, inexistente, tal como a criança pequena que o que não vê não existe, o que não vê também não a vê a ela, então parece que estamos perante uma sociedade politicamente infantilizada, onde esconder a realidade do amor entre o mesmo sexo, com uma capa de marginalidade, de não oficializado, faz ingenuamente sentir como se não existisse, se não os virmos eles também não nos vêem. Isso, porque se houver olhos nos olhos fica-se em ‘maus lençóis’.
Então que temem os nossos corajosos dirigentes? Que receiam que possam acontecer nesse ver e/ou ser visto? Que bem essencial pode ser posto em causa na sua estabilidade? Que estabilidade é essa que pode ser abalada pela não negação deste amor? O medo irracional sempre levou o humano a cometer enormes atrocidades, todos temos conhecimento disso, mas parece que não aprendemos, continuamos a fazer os mesmos erros, a fugir e tentar destruir o que não dominamos ou desconhecemos um pouco mais. Que evolução então podemos dizer haver nesta progressão e desenvolvimento? Será de facto que estamos em vias de desenvolvimento ou em vias de desenvolvimento de novas estratégias para impedir o desenvolvimento que não pareça a muitos ambiciosos de poder total ameaçar a sua ditadora acção, coacção e subjugação?

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segunda-feira, setembro 17, 2007

está aberta a época de tiro ao alvo


“Este post já é um bocado tardio, mas eu só ontem soube do episódio porque tenho estado fora em serviço (golfe na Estela e Ponte de Lima) e daqui a pouco saio novamente em serviço (golfe no Montado e em Tróia).
Entre as duas comissões de serviço, lendo os jornais atrasados na internet, vi no DN uma peça sobre uma entrevista que a jornalista Márica Rodrigues, da RTP, fez no passado dia 27 de Julho com o embaixador iraniano em Lisboa. Não acreditei nem nas palavras do jornal, nem nas fotos. Fui ao You Tube e vi então o que me recusava a acreditar.
A "jornalista" ganhou direito às aspas. A minha alma ficou parva. Não aguentei a ira, a indignação e a revolta. a "jornalista" vestia-se a rigor, de acordo com as imposições islâmicas fundamentalistas para entrevistar o embaixador do Irão em LISBOA! Toda de negro, com véu e luvas! Incrível! maquilhage discreta, ar reverente e submisso. Inaceitável!
É certo que em Roma devemos ser romanos. Mas porra, estamos em Lisboa! Ainda podia aceitar que, em Teerão, e por razões de força maior, se pudesse aceitar uma imposição desta ordem, tendo em vista um interesse superior que seria o de ouvir uma personalidade importante, sobre um tema de grande interesse num momento certo. Mas porra, estamos em Lisboa e o senhor embaixador não disse mais do que palvras de circunstância e aproveitou o tempo de antena para propaganda gratuita.
A "jornalista" prestou um mau serviço ao Jornalismo, a Portugal, à União Europeia, à presidência portuguesa da União Europeia, às mulheres iranianas e a todas as mulheres submetidas à tirania e à prepotência tradicionalista dos fundamentalistas islâmicos.
Eu considero que a maior conquista da Humanidade é a instituição civilizacional do princípio da igualdade. Todos somos iguais em direitos e dignidade, independentemente da cor, da força física, da fé, da idade, da opção sexual e do sexo. Uma das maiores realizações do Homem é a aceitação da paridade estatutária entre os sexos. Milénios de discriminação, opressão, violência, humilhação e segregação dos homens sobre as mulheres ainda não foram inteiramente superados. Há ainda, mesmo entre as sociedades ocidentais, muito caminho a percorrer. Um dos pontos em que as sociedades fundamentalistas islâmicas revelam precisamente a sua faceta mais desumana, bárbara, arrogante e prepotente é no modo como tratam as mulheres. Há um grande caminho a percorrer no sentido de oferecer a milhões e milhões de mulheres islâmicas aquilo a que têm direito: DIGNIDADE e IGUALDADE.
Márcia Rodrigues está do outro lado, está do lado dos fanáticos islâmicos. Em Lisboa sejamos livres, tal como em Roma, em Londres, em Paris, em Nova Iorque, em Sidney, em Brasília, em Toronto e onde quer que calhe no mundo ocidental. Já que em Teerão não é possível. Por enquanto.” post de S. publicado no tapor a 4 de Agosto.

... não se acanhem com os prós, os contras e os assim-a-assim

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