Era uma vez ...

Era uma vez um mundo onde haviam uma espécie de campânulas cónicas, feitas de vidro, permitindo uma transparência. Nessas campânulas cónicas habitavam seres, que podiam olhar e ser olhados pelos habitantes das campânulas vizinhas.
Desta forma podiam ver esgares de tristeza, alegria, angustia, desespero, euforia, mistério, irritação, ciúmes, e por ai adiante, se estas fossem as emoções expressas pelo seu protagonista. Observando estas expressões pouco ou nada podiam fazer, para além de se emocionarem com emoções recíprocas ou impotentes, e ali ficavam a assistir ao sucumbir de vivências solitárias.
Os acessos e saídas dessas campânulas parecem ser controlados por um SENHOR poderoso que padece de intenções sapientes e acções laboriosas em que estes seres que aí habitam não passam de cobaias para seus estudos onde pretende alcançar melhoramentos nesta espécie.
Por vezes este SENHOR, de forma perfeitamente aleatória a manipulatória, desbloqueia os acessos, só para observar e analisar a forma como se intercruzam estes seres maioritariamente solitários. O ‘espectáculo’ resulta doloroso, as quase incapacidades em conseguirem comunicar além da observação isolada, torna-se num pesadelo de proximidades invasoras e isolamentos incontornáveis.
O SENHOR anda às voltas, irritado com este estado de entropia pacífica e tristeza crónica, não sabe como libertar estes seres do seu estado de isolamento paradoxalmente destrutivo, uma espécie de suicídio paulatino.
Etiquetas: Era uma vez ...
0 Comentários:
Enviar um comentário
Subscrever Enviar feedback [Atom]
<< Página inicial