quinta-feira, dezembro 08, 2005

Patchfriends - one


fotos de ff

Há amigos que se alimentam dos sinais visíveis de encantamento que provocam no outro, do deslumbramento que percepcionam que a sua presença estética promove no olhar do outro, especialmente na pessoa do sexo em relação à qual tende a haver atracção sexual – na pessoa que possa fantasiar, ou naqueles que se possam identificar ou comparar.
Estes amigos perdem a noção das outras envolventes e carecem da empatia necessária a relações equiparadas, resta-lhes a simpatia enquanto meio para alimentar e manter a relação de encantamento do outro em si – simpatia que resvala na superficialidade, permitindo deusificar e nunca humanizar, embora ilusoriamente haja quem pretenda ter alcançado a acessibilidade a estes amigos. Acessibilidade dificilmente conseguida face à imperativa sede/dependência e necessidade incontrolável de beber do deslumbramento manifestado pelo outro, o qual não lhe permite expor-se humanizado, enquanto ser não perfeito que corre risco de ser alvo de emoções, por parte do outro, caindo num espectro emocional considerado indesejável, negativo, logo sinónimo de não apreço, ou não adoração (o seu inimigo nº 1).
Nos momentos de compulsão e impulsão, em que há uma necessidade urgente de saciação da sua sede, tudo se concentra neste acto, como foco único e exclusivo, deste meio que é mobilizado em prol dos fins, em detrimento de tudo e de todos próximos e envolvidos, apresentando-se indiferentes às consequências que este alheamento possa provocar nos outros.
Estes amigos têm uma quase incapacidade de contenção para com o outro. A estes eu chamo Narcisos.

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