quinta-feira, outubro 21, 2004

Manif's Pacíficas

Alguns estudantes da Universidade de Coimbra tentaram invadir a reunião do Senado convocada para analisar a interrupção da abertura solene das aulas e a fixação das propinas. É certo e sabido que alguns indivíduos vêem nestas situações excelentes meios de extravaso... Pelo sim pelo não apareceram alguns elementos da PSP junto do Polo II da Universidade de Coimbra (local onde a reunião iria decorrer. Miguel Duarte, presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC), ostentando a sua capa preta e um semblante de vítima indignada contestou perante os microfones colocados pelos jornalistas à sua mercê, a incorrecta actuação das forças policiais face a uma manifestação pacífica que tem todo o direito de existir num país democrático. Neste aspecto concordo plenamente: quando algo nos desagrada devemos insurgir-nos. Devemos lutar por aquilo que achamos correcto. A democracia concede-nos esse direito (excepções ficarão para outro(s) post(s)). Efectivamente e reportando-me ao caso em questão, não tem cabimento algum que o ensino público não tenha as mesmas regras a nível nacional no que diz respeito à fixação de propinas. Mas não compreendi muito bem o que o presidente da AAC quis dizer com “manifestação pacífica”! Talvez ele não tenha visto aqueles que tentaram modificar a aparência da porta de entrada do Polo II com a força que direccionavam para os seus pés ao mesmo tempo que se insurgiam contra a meia dúzia de PSP´s que na altura estavam presentes. Se viu, como conhecedor (que certamente será) das barbáries que assolam o mundo o presidente da AAC lá deve ter pensado: afinal de contas o que são uns pontapés e uns insultos à autoridade perante raptos e ataques terroristas?

Felizmente alguém com bom senso (tanto da PSP como dos estudantes) apelou “Calma!!!” mas como poucos lhe deram honras de aceitação quem teve que impor a sua presença foi o Corpo de Intervenção (CI). Os insultos (e não só) por parte dos estudantes aumentaram e o CI, tentando impedir que aqueles entrassem no edifício passando por cima deles, resolveram temperar o ar com pimenta. Às vezes a polícia não se contém e exagera. Não foi o caso. A indignação do Presidente da AAC só tem sentido num aspecto: a definição das propinas pelas universidades – que no caso da UC resultou no valor máximo.
Resultado da manifestação “pacífica”: um estudante detido e dois ou três a necessitarem de trombocide e colírio.

4 Comentários:

Blogger FF disse...

"Às vezes a policia não se contém e exagera." ...às vezes???
então: Às vezes os estudantes não se contêm e exageram. Às vezes os directores não se contêm e exageram. Às vezes ....

11:42 da manhã  
Blogger FF disse...

Gostei! Informativo e opinante.

11:43 da manhã  
Blogger susana c. disse...

às vezes (ou deverei dizer, frequentemente?) todos nós exageramos. Sabemos bem que as forças policiais se excedem. A sua actuação é largas vezes condenada pelos relatórios internacionais. Contudo o desrespeito e a provocação à autoridade existe em demasia e com acentuada defesa (aos prevaricadores)da parte dos media. Desta vez as câmaras estiveram lá para provar de onde partiu a provocação. E contra factos não há argumentos que defendam que todos os estudantes que ali estavam se manifestaram pacificamente.

12:35 da tarde  
Blogger FF disse...

Mas os factos podem e são sempre vistos pelos olhos de cada um, logo os argumentos podem abundar na medida de cada um que se envolva. Assim contra factos há sempre argumentos, perceptivos, avaliativos e interpretativos.

12:40 da tarde  

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