quarta-feira, outubro 13, 2004

Havia aí muito que fazer!!!!!!

Sempre que posso e os saltos habitualmente altos não concentrem a minha atenção nos meus pés, adoro caminhar em sítios movimentados e “analisar” a vida social quotidiana. Olho aqueles que passam por mim, observo o modo como se procuram esconder ou evidenciar no meio dos outros, vejo as pessoas impacientes à espera que o bonequinho luminoso fique verde e lhes dê ordem de marcha. Alguns mais afoitos e impacientes adiantam-se ao sinal e tornam-se o centro das atenções da maioria que não avança. Prossigo e pouso os olhos nos rostos entediados que se aglomeram na paragem do autocarro, na conversa entusiasta de conhecido ou amigos que se encontram na rua, nos semblantes carregados pelas agruras da vida, nos laivos de desdém lançados por uns, nos olhares de admiração emitidos por outros. Mergulhada neste processo de cusquice social procuro tendências de comunicação verbal e não verbal: a forma como se vestem e penteiam, a postura corporal, a expressão facial, as conversas, os comentários. Recentemente dei conta de um comentário em voga: “havia aí muito que fazer!!”. Sem qualquer fundamento metodológico tracei, inclusive, o perfil de quem profere tal comentário: indivíduos do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 30 e os 45 anos ocupando postos de trabalho que requerem maior destreza manual (pois, havia “muito que fazer”... com as mãos??) que intelectual e muito certamente com baixas habilitações literárias. A tarde de ontem mostrou-me que este comentário começa a ouvir-se da boca de Srs. engravatados. A minha curiosidade levou-me a indagar junto de alguns conhecidos meus do sexo masculino. Afinal a frase também é dita à boca cheia por indivíduos com idade inferior a trinta anos e com qualificações académicas de nível superior. Mas, decerto, descaradamente mais utilizada no grupo acima referido.
O vento acentuou-se no final da tarde e o sol de outono começa já a perder a força. Ainda assim resiste e procura roçar todos os aqueles que se recusam a precaver das oscilações de temperatura. Senti-o nos ombros, levemente. O vento metia-se com todos aqueles que atravessavam a ponte. Os carros passavam com a velocidade que o semáforo lhes permitia e os seus ocupantes recebiam do exterior uma série de imagens que abandonariam em fracções de segundo. Eu ia recolhendo gestos, vozes, interacções, para fazer as minhas “curtas”...

5 Comentários:

Blogger FF disse...

"havia por a muito que fazer!" e ninguém que nos diga por onde começar...?

12:57 da tarde  
Blogger susana c. disse...

pelo tom lascivo que acompanha o comentário, depreendo que quem o profere relega para segundo plano a questão de saber por onde começar. Estará, porventura, mais interessado em deitar a mão alarvemente naquela que ele gostaria ver transformada num objecto de prazer colocado à sua disposição. Sem restricções.

6:00 da tarde  
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